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PAIVAJORNALISTA

Esse blog tem uma finalidade muito importante, isto é, levar aos conhecimentos dos leitores e amigos os mais diversos assuntos relacionados com o nosso dia a dia. Crônicas, Artigos, Poemas, Poesias, Atualidades, Política entre outros.



Domingo, 30.05.10

REFLEXÕES

REFLEXÕES


Os orientais valorizam muito as pessoas idosas por considerarem que a longevidade implica em acúmulo de experiências, lições de vida e enriquecimento cultural. Essa sábia atitude não é universal, pois em alguns países, como o Brasil, o idoso, aquele que já não trabalha, é considerado pelos governantes, ao que parece, um peso morto na sociedade.
Não se pode desconhecer que a Nação é a razão de ser do Estado e, consequentemente, do nascituro ao ancião, sem distinção de raça, cor ou credo, há que se encontrar o foco das ações de governo garantindo os direitos sociais, máxime a saúde, a educação e a segurança pública, pois a todos deve ser assegurada uma vida digna. Certamente por essa grande responsabilidade, a Lei Maior impõe idades mínimas, traduzidas por maior ou menor tempo de vida, para o exercício dos cargos eletivos, tempo esse indispensável ao amadurecimento de governantes e legisladores e ao discernimento do bem comum.
Tudo isso e muito mais faz com que se reflita por que na prática a teoria é diferente já que é fácil constatar que no Brasil de hoje a realidade é outra: o cidadão é seduzido por privilégios, o aposentado luta para sobreviver e a Nação, dividida em segmentos, se torna cada dia mais indefesa e mais vulnerável pela falta de coesão e, consequentemente, incapaz de reagir. A pureza do legislador torna-se uma ficção ou algo secundário substituído pelas ambições pessoais que criam novas regras e novos costumes gerados e cultivados pela hipocrisia e pela indignidade; os governantes elegem o PODER a razão de suas existências, passando a pensar no povo como instrumento e não como fim de suas ações.
O que está faltando à Nação brasileira? Por que a dignidade da pessoa humana tornou-se uma ficção consentida pela maioria? Por que o bem comum perde espaço e a reação popular inexiste? Será que Rui Barbosa mostrou a sua grandeza ao ser capaz de vislumbrar a vergonha de ser brasileiro? Enquanto o governo federal deixa à mingua o aposentado alegando dificuldade orçamentária, a sua despesa com publicidade, segundo noticiado, ultrapassa 240 milhões de reais apenas em quatro meses deste ano e o Chefe da Nação contribui, espontânea e generosamente, com milhões de dólares para a construção de um metrô na Venezuela, uma estrada na Bolívia e obras diversas em Cuba, além de anistiar dívidas de quase um bilhão de dólares de países africanos e também de Cuba!
Como entender a aceitação popular de um governo oligárquico que tudo faz em benefício de uma classe, de um partido político ou de um grupo de companheiros de caminhada? Não vejo outra resposta que não seja a inexistência de elites políticas e econômicas capazes de informar e esclarecer à Nação que as grandes decisões devem beneficiar o país e não só os grupos dominantes. Essa indigência elitista favorece a manutenção do “status quo” e impede o surgimento de novos líderes, permanecendo intocáveis os currais eleitorais que se ampliam e mudam de arcabouço, mas não da dependência dos oligarcas, antigos coronéis. Como bem disse Luiz Werneck Vianna, “cabe à intelligentsia brasileira hoje, novamente, uma intervenção esclarecedora sobre o estado de coisas que assola o país.”
E o povo anestesiado, acomodado e omisso por falta de rumo e de bandeira, não enxerga as necessidades de um país desenvolvido e continua a aceitar práticas de favorecimento, assistencialismo ou clientelismo.
(Gen Ex José Carlos Leite Filho – linsleite@supercabo.com.br – 26/05/10)
(Publicado no “O JORNAL DE HOJE”, de 26/05/10, Natal, RN

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por paivajornalista@blogs.sapo.pt às 13:56



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