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PAIVAJORNALISTA

Esse blog tem uma finalidade muito importante, isto é, levar aos conhecimentos dos leitores e amigos os mais diversos assuntos relacionados com o nosso dia a dia. Crônicas, Artigos, Poemas, Poesias, Atualidades, Política entre outros.



Terça-feira, 12.10.10

CRÔNICA 66 (10 Out 2010)

CRÔNICA 66                    (10 Out 2010)
SEGUNDO TURNO
Não é mais hora de utilizar os tempos concedidos no rádio e na televisão para discorrer sobre amenidades ou assuntos que só impressionam ao eleitor de voto já decidido. É impositivo tratar de temas que definirão os rumos do novo governo. Que influirão no voto dos que escolheram Marina ou não votaram. Dos que querem conhecer a posição ideológica, a visão administrativa os compromissos políticos dos candidatos. 
O aborto tem sido tema recorrente. Para Serra, um flanco mal guarnecido a explorar na concorrente. Para esta, uma posição nova, contrária à oficialmente defendida por sua agremiação, tentando recuperar votos perdidos daqueles que são contra por convicção religiosa.  Dois deputados do PT foram punidos pelo partido, e o abandonaram, por votarem contra a lei que o discriminalizava.  Mesmo defendendo agora o direito à vida, usa subterfúgios. Seus argumentos param na defesa da mulher. Em nenhuma ocasião falou no direito do nascituro. É estranha a omissão, já que toda a argumentação de peso sobre o aborto recai prioritariamente na defesa da criatura gerada, vindo em segundo lugar a gestante.
Petrobrás é assunto importante a ser tratado por quem pretende governar o país.  Apesar da ingestão maciça de recursos governamentais para aumentar a participação oficial na composição acionária, tem seu valor de mercado em queda, com ações constantemente desvalorizadas no pregão da bolsa. A empresa está pagando o preço de sua utilização política, que não foi investigada porque o governo usou a maioria no congresso para bloquear a CPI instalada há mais de ano.
Outro tema é a futura participação de José Dirceu. Idealizador e comandante do mensalão, foi destituído da chefia da casa civil numa tentativa de Lula para reduzir o desgaste que o episódio produzia em sua administração. Denunciado pelo procurador geral, responde a processo no STF. Nem por isso teve diminuída sua influência dentro do PT. E agora interpreta o futuro governo, dizendo que o PT dará as cartas que não deu no atual, em que Lula é maior do que o partido. Que papel lhe estará reservado?
Ambos os postulantes fazem agrados a Marina, esperando colher seus quase vinte milhões de votos. Surpresa será se Dilma for beneficiada, depois de anos de confronto. Sempre estiveram em posições opostas. Afastada do Plano Amazônia Sustentável, inserido no PAC, demitiu-se do governo, inconciliável com Dilma. Agora, valorizada pelo eleitorado, apresentou os temas de um programa de governo que quer ver aprovados pelo candidato que pretender seu apoio. Vale citá-los, por sua abrangência e profundidade. Transparência ética. Reforma eleitoral. Educação para a sociedade do conhecimento. Segurança pública. Mudanças climáticas. Energia e infraestrutura. Segurança social: saúde, assistência social, previdência. Proteção dos biomas brasileiros. Gasto público de custeio e reforma tributária. Política externa. Fortalecimento da diversidade socioambiental e cultural.
Muitos, senão todos, têm de ser explicitados pelos dois candidatos. Interessam ao eleitor independente, esquecido pela propaganda do 1º turno, mas agora com peso decisivo para definir o 2º.
A desvalorização do dólar é de alcance universal. Aqui, taxas de juro animam investidores externos. O fluxo de entrada da moeda tem-se mostrado insensível às medidas oficiais para contê-lo. Tudo indica que o futuro governo pagará preço alto pela desarrumação da economia, com a balança comercial caindo, importações crescendo e exportações decrescendo. Candidatos têm de dizer ao eleitor como pensam reequilbrá-la.
Diplomacia é outro tema relevante para ser abordado. Vamos continuar incrementando relações com governos ditatoriais, que, no caso do Irã, ameaçam a paz mundial, ou a política externa vai dar uma guinada e voltar ao equilíbrio que é de nossa tradição? O brasileiro informado que saber, para decidir em quem votar.
Além de planos de governo, é também importante aprofundar o conhecimento sobre as personalidades.  Os dois concorrentes se contrapuseram ao regime militar. Um, ex-presidente da União Nacional dos Estudantes, organização então impenetrável aos agrados oficiais, exilou-se voluntariamente. Nunca pregou a reação armada. Retornou para mergulhar na vida política, onde amealhou sucessos eleitorais e administrativos. Desvios éticos não constam de seu currículo. A outra escolheu o caminho do terrorismo. Envolveu-se em assassinatos, assaltos a bancos, invasão de domicílio para roubar cofre recheado de dólares, dos quais nunca prestou contas. Sua foto armada de fuzil roubado de quartel circula pela internet. Erenice, de sua confiança, substituta na Casa Civil, justificava os achaques de tráfico de influência regiamente remunerados como destinados a pagar despesas da campanha eleitoral. Seu currículo, declarado ou omitido, é recheado de inverdades, mudanças de opinião e crenças que vêm à tona para agradar a platéia da circunstância.
O Brasil espera que cada um cumpra seu dever, escolhendo bem.
Armando L. M. de Paiva Chaves

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