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PAIVAJORNALISTA

Esse blog tem uma finalidade muito importante, isto é, levar aos conhecimentos dos leitores e amigos os mais diversos assuntos relacionados com o nosso dia a dia. Crônicas, Artigos, Poemas, Poesias, Atualidades, Política entre outros.



Quinta-feira, 06.01.11

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Quinta-feira, 06.01.11

Desafiando o Rio-mar – Itacoatiara

Desafiando o Rio-mar – Itacoatiara


(Abacaxis – Serpa)



Hiram Reis e Silva, Itacoatiara, AM, 05 de janeiro de 2011.



“(...) chorou o último a aleivosia daqueles Tupuias no fatal incêndio de trezentas Aldeias, depois da Mortandade de setecentos homens dos mais valorosos da suas nações, e o cativeiro de quatrocentos (...)”.

(Bernardo Pereira Berredo)



Do dia 27 de dezembro a 1º de janeiro, permanecemos em Itacoatiara; neste intervalo subimos o Rio na voadeira do 2º GptE até as proximidades da Ilha Benta, tentando acessar o Rio Urubu pela sua foz, mas, em virtude da seca, não foi possível. O Urubu trazia-me à lembrança o massacre que se sucedeu à missão de “resgate”, comandada pelo Sargento-Mor Antônio Arnau Vilela, em 1665, relatado pela pena magistral de Berredo. Em virtude da gripe forte e do movimento intenso do barulhento porto durante toda a noite, não consegui dormir e fui forçado a procurar um pequeno hotel nas proximidades para poder pernoitar e descansar. No dia 28 de manhã, recebi, no Hotel Rio Amazonas, a visita do Tenente João Batista dos Santos Pinheiro.Tratamos de temas relativos à Amazônia e ganhei dele um CD com uma palestra sua sobre a cidade de Itacoatiara. O Coronel Teixeira e companhia chegaram por volta do meio-dia. Depois de almoçarmos a bordo, recebemos a visita do senhor José Holanda que, gentilmente, convidou-nos para conhecer sua propriedade no dia seguinte. No dia 29, tomamos o café da manhã com o simpático prefeito Antônio Peixoto que, com uma fluência impressionante, discorreu sobre sua militância política junto aos trabalhadores rurais até ocupar o cargo de Prefeito de Itacoatiara; à tarde, visitamos a fazenda de Búfalos do senhor José Holanda na foz do Rio Madeira. No dia 30 fomos até à Fazenda Imperial do senhor Alcides Weiller, esposo da senhora Lena e proprietário do Restaurante Panorama, em cuja vista maravilhosa

avista-se um pequeno lago que margeia o Rio Urubu. Os búfalos pastavam indolentemente mergulhados até o pescoço e arrancavam grandes porções de capim que flutuava na altura de suas mandíbulas.



- Prefeito Antônio Peixoto



O Prefeito relatou, com detalhes, a perfuração de poços em Porto do Mauari - nossa última parada antes de Itacoatiara. “Quando deu na pedra, e como lá era várzea, a camada de pedra estava a 4 metros de profundidade aí o que eu fazia, só eu e as duas mulheres, arriava a vara de ferro e batia pá, pá, pá. Quando eu percebia que já tinha uma quantidade de pedras quebradas, tirava a vara para fora, pegava um bolão daquela tabatinga, jogava lá dentro e arriava a broca em cima e aí eu ficava como se estivesse arrumando uma namorada, só caqueando; quando aquela tabatinga embolava aquelas pedras todinhas eu puxava; às vezes a gente jogava outro bolinho só para saber se ainda tinha alguma coisa. Quatro horas de serviço, o pior não é nada, é você quebrar o diâmetro de uma pedra para a broca, depois descer bem porque pode quebrar de ponta; mesmo assim a gente conseguiu cavar o poço artesiano. O poço que ele (Beche) toma água hoje fui eu e a Bela quem perfurou, em 1998”.



- José Holanda



Descendente de cearenses que se estabeleceram nas proximidades de sua atual propriedade, possui a determinação e a vontade férrea dos sertanejos cuja têmpera foi forjada no sol causticante da caatinga. Com treze filhos e mais de 30 netos, Holanda encanta a todos com sua fala mansa e contagiante e a riqueza ímpar de suas experiências em suas mais de sete décadas de vida na região. Alfabetizado tardiamente pelo antigo MOBRAL (Movimento Brasileiro de Alfabetização), recuperou o tempo perdido lendo autores consagrados, dentre eles Ernest Hemingway. O deslocamento até a fazenda de Holanda, na foz do rio Madeira, foi realizado numa lancha rápida por ele mesmo projetada, com motor Suzuki de 300hp.



Holanda comentou que o abigeato é comum na região e que em determinada ocasião um comerciante local, seu vizinho e proprietário de um flutuante, surrupiou-lhe seis cabeças de gado. Conhecendo o responsável pela autoria do roubo, ele se dirigiu, com a tranquilidade que lhe é peculiar, ao estabelecimento comercial do mesmo e fez uma compra considerável de combustível e de gêneros bem superior ao preço dos seis bois levados pelo inescrupuloso mercador. Determinou que a embarcação carregada se afastasse e ficou com uma lancha rápida para lhe facilitar uma emergencial evacuação. Chamou o meliante para uma mesa e disse que precisava conversar com ele. Olhando fixamente nos olhos do ladrão disse que o pagamento do material que ele havia acabado de adquirir deveria ser abatido do preço dos bois roubados. Quando o malandro se esticou para pegar uma arma, Holanda mostrou-lhe a Calibre 12 engatilhada e destravada e saiu sem ser incomodado pelo covarde trapaceiro.



- Histórico



“Os registros de povoamento na região datam de 1655, quando o Padre Antonio Vieira cria a Missão dos Aroaquis na Ilha de Aibi, nas proximidades da boca do Lago do Arauató. A Missão, porém, não progrediu em razão da investida dos índios Muras. Por cinco vezes o povoado mudou de lugar. O desconhecimento sobre a região não os deixava observar que estavam deslocando-se dentro da grande área dominada pelos índios Muras, que compreendia praticamente toda a calha do Rio Madeira. Razão que os fez mudar para a foz do Rio Abacaxis. O povoado desta vez instalou-se em terra firme e as investiduras dos Muras eram menores. Com o notório progresso do povoado, o Capitão-General Governador da Amazônia, Francisco Xavier de Mendonça Furtado, irmão do Marquês de Pombal, em visita ao lugar, resolveu elevar o lugar para categoria de Vila. Os moradores, contudo, já tinham previamente escolhido um novo lugar em razão da insalubridade e dos constantes ataques dos índios. Desta vez, trocaram a calha do Madeira pela margem esquerda do Rio Amazonas - mais precisamente no Sítio Itacoatiara. Todavia, a mudança só foi efetivada em 19 de abril de 1758. Mendonça Furtado, após verificar o lugar “in loco”, deixou o Sítio Itacoatiara e partiu para Barcelos para empossar o coronel Joaquim de Mello e Povoas como Governador da Capitania de São José do Rio Negro. Em 01 de janeiro de 1759, acontece, de fato e de direito, a instalação da Vila, com a denominação portuguesa de Serpa, que estaria sob a proteção de Nossa Senhora do Rosário de Serpa, cuja imagem foi trazida de Portugal para a Vila recém-formada. Foi a 3ª Vila instalada do Amazonas, pela estratégica posição geográfica. Exercia considerável influência na região, ficando, inclusive, o Lugar da Barra, atual Manaus, sob a sua dependência política. A Comarca de Serpa compreendia, aproximadamente, metade da área do Estado. Em 1840, Serpa foi duramente atingida pela revolução dos cabanos e, finalmente, em 25 de abril de 1874, com base no projeto n° 283, de autoria do Deputado Damaso de Souza Barriga, a antiga Vila de Serpa é elevada a categoria de cidade, resgatando a origem indígena com a denominação Itacoatiara, fazendo uma alusão às pedras encontradas no Jauary (bairro da cidade que fica situado na margem do Rio Amazonas, onde encontram-se várias pedras com inscrições em baixo relevo, feitas pelos primitivos habitantes). Em 24 de agosto de 1932, na frente da cidade, aconteceu a célebre Batalha Naval envolvendo os navios Ingá e Baependí, dos legalistas da constitucionalista de São Paulo. Os navios Jaguaribe e Andirá estavam sob o comando dos rebeldes”. (SEGOV-AM)



João Daniel (1757)



“Nas margens do Amazonas há uma paragem, entre Pauxis (Óbidos) e a foz do Madeira, chamada na língua dos índios naturais ‘Ita cotiará’, que quer dizer ‘pedra pintada ou debuxada’ (esboço, desenho); vem-lhe o nome de várias figuras, e pinturas delineadas naquelas pedras; e pouco mais acima estão estampadas em outras pedras algumas pegadas de gente. O que suposto, discorrem alguns, que tanto uns como os outros serão sinais misteriosos, como as pegadas esculpidas no pavimento do altar, que dissemos no Rio Xingu; porque não parecem feitas por engenho da arte. Outros, porém, concedendo a causal, dizem que estas podem ser por causa natural, porque pode ser que passando por ali algum curioso índio, quando ainda aquelas pedras estivessem barro brando, ‘debuxaria’ (desenharia) por divertimento as tais pinturas e figuras; e pela mesma razão de brandas, passando por cima das outras, deixaria estampados nelas os pés, e ao depois fazendo-se pelo decurso dos tempos aqueles barros petrificados, conservam as mesmas figuras. Parece provável este discurso, aos que discorrem que todas as pedras se fizeram, e constiparam com os tempos, de que há muitas provas, além de outras partes, no mesmo Amazonas, como advertiremos adiante”. (DANIEL)



- Antônio Ladislau Monteiro Baena (1839)



“Há ali pedras alvas, pretas, verdes, todas lisas; pedra amarela, chamada Itacoan, que serve de alisar as panelas feitas a mão; e pedras pintadas de várias figuras. Destas últimas também na ribeira da Vila de Serpa; e foram elas o motivo de dar-se a esta povoação em seu primórdio o nome de Itacoatiara. (...)



Serpa: Vila criada pelo Governador do Rio Negro Joaquim de Mello e Povoas em 1759, e plantada sobre uma planície larga e sobranceira ao Rio de uma Ilha jacente na margem esquerda do Amazonas, que leva a ribeira desta Vila 3 léguas abaixo do Aibú, quinto furo de Saracá, ou 48 léguas acima da foz do Nhamundá confim oriental da Comarca no mesmo Amazonas. Posição em latitude e longitude o paralelo austral 3°3’. Cruzado pelo meridiano 319°9’. Esta Vila foi uma aldeia chamada dos Abacaxis: e outros também a denominaram Itacoatiara, porque a sua ribeira se acha semeada de pedras pintadas e formadas variamente. (...) Os moradores fazem venda de peixe seco ou salmoeirado, de café, guaraná, tabaco, manteiga de peixe-boi, e de tartarugas, de que há muita cópia, e são corpulentas; e vão à espessura as suas produções mais cursáveis no comércio. As terras são aptas para café e tabaco, e também para quadrúpedes do gênero dos ruminantes. O Porto da Vila é profundo mesmo na proximidade da terra: e tem na sua frente uma correnteza voraginosa”. (BAENA)



- Henry Walter Bates (1849)



“Permanecemos cinco dias em Serpa. Algumas das cerimônias realizadas no Natal não deixavam de ser interessantes, tanto mais quanto eram, com ligeiras modificações, as mesmas que os missionários jesuítas tinham ensinado havia mais de um século às tribos indígenas induzidas por eles a se estabelecerem ali. Pela manhã, todas as senhoras e moças do lugar, trajando blusas de gaze branca e vistosas saias de chita estampada, seguiram em procissão até a igreja, depois de darem uma volta pela Cidade a fim de chamar os vários ‘mordomos’ cuja função era ajudar o ‘juiz’ da festa. Cada um desses ‘mordomos’ segurava uma comprida vara branca, enfeitada de fitas coloridas; inúmeras crianças participavam também da procissão, cobertas de grotescos enfeites. Três índias velhas iam na frente, levando o ‘sairé’, que consiste num trançado de cipó semicircular, recoberto de um tecido de algodão e incrustado de pedaços de espelho e enfeites semelhantes.Elas agitavam essa peça para cima e para baixo, cantando ininterruptamente um hino monótono e plangente na língua tupi e se voltando de vez em quando para os que vinham atrás, os quais nesses momentos interrompiam a sua marcha. Fui informado de que o ‘sairé’ não passava de um engodo de que se tinham servido os jesuítas para levarem os selvagens até a igreja, pois estes se sentiam atraídos pelos espelhos e os seguiam a qualquer parte, encantados por verem suas próprias imagens refletidas ‘magicamente’ neles. À noite o povo se entregou a alegres folguedos por toda a Cidade. Os negros, devotos de um santo que tinha a sua cor - São Benedito - fizeram sua festa à parte e passaram a noite toda cantando e dançando ao compasso de um tambor comprido chamado ‘gambá’ e do ‘caraxá’. O tambor era feito com um pedaço de tronco oco, fechado numa das extremidades por um couro esticado; era colocado horizontalmente no chão, e o tocador montava ele, percutindo-o com o nós dos dedos. O ‘caraxá’ era feito de um pedaço de bambu cheio de entalhes, os quais produziam um som áspero e matraqueante quando se passava uma vareta ao longo deles. Nada se comparava, em monotonia, a esses sons, cantos e danças, que continuaram pela noite a dentro com inexaurível vigor. Os índios não executaram nenhuma dança, já que os brancos e mamelucos tinham monopolizado todas as morenas bonitas do local, atraindo-as para seus bailes, e as índias mais velhas preferiam assistir à festa ao invés de tomar parte dela. Os maridos de algumas delas juntaram-se às danças dos negros, e dentro em pouco estavam bêbados. Era divertido observar como se tornavam loquazes, sob influência do álcool, os taciturnos índios. Os negros e os índios justificavam as suas bebedeiras dizendo que os brancos também se estavam embriagando do outro lado da Cidade, o que era pura verdade”. (BATES)



Sairé ou Çairé: manifestação folclórica e religiosa na qual os participantes, durante três dias, cantam, dançam e participam de rituais religiosos e profanos, resultantes da miscigenação cultural entre índios e portugueses. A festa teria sido criada pelos índios para homenagear os portugueses que colonizaram o médio e o baixo Amazonas. Sua origem está no fato de que os colonizadores que aportavam em nossas terras exibiam seus escudos. Os índios então faziam o seu ‘Çairé’, como foi chamado o símbolo que é carregado nas procissões, imitando o escudo usado pelos portugueses. O escudo dos índios era feito de cipó recoberto de algodão e outros adornos, enfeitado de tiras de várias cores e rosetas de pano colorido. Como os símbolos dos portugueses possuíam cruzes, o ‘Çairé’ também possui, só que neste, as cruzes representam o mistério da Santíssima Trindade. O caráter religioso também é atribuído aos frades jesuítas, que teriam criado o símbolo para ajudar na catequese dos indígenas. Os preparativos para o ‘Çairé’ começam com a procura pelos troncos que servirão de mastros, na abertura da festa. Os troncos escolhidos são enfeitados com folhas, flores e frutos, levantados em competição acirrada entre homens e mulheres para ver qual grupo consegue levantar o mastro em primeiro lugar’.





Solicito Publicação



Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E–mail: hiramrs@terra.com.br

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Quinta-feira, 06.01.11

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Quinta-feira, 06.01.11

CIGS - Projeto Búfalo

CIGS - Projeto Búfalo




Hiram Reis e Silva, Itacoatiara, AM, 31 de dezembro de 2010.



“A selva não pertence ao mais forte e sim ao mais habilidoso, ao mais resistente e ao mais sóbrio”.



- Transporte de Material em ambiente de Selva

Baseado em publicações da Divisão de Doutrina e Pesquisa do CIGS



O Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) ,desde a sua criação, procurava solucionar a questão do transporte de armas, munição, água, rações e equipamentos por frações de tropa empenhadas em operações na selva. A procura de um meio de transporte eficiente e de baixo custo baseou suas pesquisas na utilização de bicicletas e animais de carga que pudessem ser adestrados para esse fim.



A primeira tentativa realizada, durante o Comando do Coronel Gélio Fregapani, pretendia utilizar uma anta treinada desde pequena para se adaptar às necessidades operacionais observadas pelas tropas na Amazônia. Foi adaptada uma cangalha especial fixada às costas do animal dentro da qual se colocavam pequenos pesos, mas o animal jamais se adaptou e corcoveava até se ver livre da carga, não se sujeitando ao adestramento.



Nos idos de 1983, foi desenvolvido um projeto utilizando-se muares. O animal foi conduzido para a Base de Instrução Número 1, localizada no quilômetro 55 da Rodovia AM 010. Depois de serem estabelecidas metas e um cronograma de trabalho, iniciou-se a fase prática. O primeiro teste avaliou o comportamento do muar sob uma carga de 60 quilos de suprimentos, montado sobre cangalhas confeccionadas com palha. O animal deveria realizar um deslocamento “através selva” de, aproximadamente, 2.000 metros. Ao chegar ao primeiro socavão, a cerca de 800 metros da base, onde existia um chavascal, o animal empacou e se negou a ir em frente. Como os muares apresentavam sérios problemas de natureza veterinária e limitações para vencerem obstáculos naturais bastante comuns na selva amazônica, o projeto foi abandonado pela inaptidão do animal para o ambiente de selva.



Mais recentemente, no ano de 2000, a Divisão de Doutrina e Pesquisa desenvolveu outro projeto empregando a bicicleta para o transporte de carga. Esta idéia surgiu a partir do estudo de técnicas especiais utilizadas pelos vietcongs na guerra contra os USA, no final da década de 60 e início dos anos 70. As resistentes bicicletas de fabricação soviética eram viáveis no Vietnã, onde a fisiografia da selva possibilitava a abertura de trilhas e o largo emprego da mão de obra farta e barata. Devido ao grande esforço físico despendido pelo homem para empurrar a bicicleta, ela não foi aprovada como sendo uma opção para a logística no interior da selva.





- Histórico do Projeto Búfalo



Com a continuidade dos estudos chegou-se finalmente ao búfalo, animal já adaptado com sucesso na Amazônia, rústico e com diversas características que foram ao encontro das necessidades militares para o emprego de animais. O chamado Projeto Búfalo nasceu em 2000, e tem demonstrado ser uma das soluções para as necessidades das tropas de selva brasileiras devido à resistência do animal, sua adaptação ao ambiente e, principalmente, à sua capacidade de transportar 400 kg ou mais de carga no lombo, ou até três vezes isso, quando tracionando carroças.



A primeira e única informação a respeito do emprego do búfalo, que não fosse para o consumo humano, foi baseada em uma foto de um cartão postal. Neste cartão retratava-se a utilização do animal para fins de patrulhamento pela 5ª Companhia Independente da Polícia Militar (5ª CIPM ) na cidade de Soure, na ilha do Marajó- PA. Foram realizados alguns contatos preliminares para tentar viabilizar a doação e o transporte de um animal de Soure para o CIGS. Devido ao alto custo e a falta de um contato mais aproximado, optou-se por tentar conseguir um animal nas proximidades de Manaus. Foi doado um casal de búfalos com 4 meses de idade, da raça Mediterrâneo. Os animais foram transportados de Itacoatiara para o CIGS no dia 12 de junho de 2000 e, imediatamente, enviados para a Vila do Puraquequara e, de lá, em embarcação boiadeira, até a Base de Instrução Número 4. A Divisão de Doutrina e Pesquisa apresentou ao Comandante uma proposta de trabalho que permitiu dar os primeiros passos para o Projeto, único no mundo, empregando-se animais selvagens para o transporte de carga no interior da floresta.



Desde o início, foi observado que todos os militares envolvidos deviam possuir algumas características que viessem a facilitar o andamento dos trabalhos, tais como: paciência - para enfrentar a teimosia que os animais apresentavam para realizar determinadas atividades; rusticidade - para encarar as dificuldades do terreno por onde os animais se deslocavam; vigor físico - para empurrar, puxar, carregar o material, as carroças, os bolsos carregados com material, nadar com os animais nos igarapés etc. Além dessas características, deve demonstrar desprendimento e iniciativa - para enfrentar as reações adversas apresentadas pelos animais que eram inusitadas e, muitas vezes, com relativo risco para a integridade física do homem, cabendo a eles decidirem qual a melhor forma de se atingir o objetivo proposto. Com relação ao efetivo a ser empregado no Projeto, pode-se concluir que é necessário um homem para cada animal, na fase de adestramento, ou seja, desde os primeiros passos com a condução na corda, trabalho nas trilhas, nos igarapés, na alimentação dentre outras inúmeras atividades.



- Colete Tático Transportador



No início do Projeto, o objetivo primordial era domesticar os animais, passando para eles características que viessem a facilitar o cumprimento das metas estabelecidas na Proposta de Trabalho apresentada. Desde a fase inicial, foi buscado o desenvolvimento de um colete que pudesse acondicionar o material que iria ser carregado, ou seja, no primeiro momento era fundamental que o animal se acostumasse com algo sobre o seu lombo. Para tanto, foi desenvolvido um tipo de colete denominado pela equipe como “colete tático transportador”. Os coletes desenvolvidos permitiram que fossem administrados gradativos pesos sobre o lombo dos búfalos, acondicionados em bolsos de tamanhos variados – todos confeccionados em lona bastante resistente.



Com o andamento dos trabalhos, houve a necessidade de aprimoramento destes materiais. A cada nova investida na selva, uma nova idéia surgia e era aplicada de imediato. Com o início dos trabalhos de tração, houve a necessidade de aquisição de carroças especificamente fabricadas para este fim. Procurando-se conhecer a viabilidade e a adequação dos animais para o transporte humano, foram adquiridas, da ilha de Soure -PA, duas celas especificamente fabricadas para este fim.



- Conclusão



A experiência de emprego de tropa de carregadores, durante a Operação Mura, realizada pelo 1º Batalhão de Infantaria de Selva no ano de 2000, utilizando-se militares do 12º Batalhão de Suprimentos para compor esta fração, mostrou que o homem não suportou, como se esperava, as adversidades do terreno. Após 10 dias de deslocamento com um peso médio de 30 Kg para ressuprir cachês em pontos locados dentro da área de combate, a tropa se encontrava estafada e sem condições de prosseguir na missão. Aliado a este fato, cabe ressaltar que além de ter que carregar o material a ser ressuprido, o carregador tem que levar o seu material individual (ração, munição, material de higiene, roupa de muda, dentre outros). Assim, os 30 Kg que serão ressupridos mais o material do homem, eleva-se para cerca de 41,5 kg. Verificou-se que a média de deslocamento de uma tropa a pé em terreno variado, que é de 1km/h, ficou reduzida a 0,6 km/h, tendendo a diminuir, à medida que parte da tropa apresentava sintomas de estafa, impondo-se a necessidade de se dividir o peso entre aqueles homens que ainda permaneciam na missão de carregadores.



O emprego tático do búfalo em operações na selva tem por objetivo tê-lo como um colaborador, um facilitador, enfim um meio alternativo para o transporte das mais variadas cargas possíveis. Dessa forma, sua colaboração está em retirar o peso do homem, economizando esforços por parte da tropa empregada no ressuprimento, possibilitando a manutenção e o aumento do poder de combate, alongando a permanência do homem em condições de combater por mais tempo e em melhores condições. Poderá estar enquadrado em fração de qualquer nível ou com uma equipe de ressuprimento sem restrições quanto ao horário de emprego, bem como no terreno a ser percorrido, tendo em vista que o animal tem boa visão à noite e já é adaptado à vida aquática. Quanto à alimentação, não há necessidade de grandes preocupações da tropa em querer ressupri-lo, pois ele come de tudo e possui a capacidade de sintetizar proteínas de vegetais inferiores, precisando de pouco complemento alimentar, o qual ele mesmo poderá transportar.





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Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)

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Desafiando o Rio-mar – Iniciando a 3ª Fase

Desafiando o Rio-mar – Iniciando a 3ª Fase




Hiram Reis e Silva, Rio Amazonas, RS, 23 de dezembro de 2010.



“Vê bem, Maria aqui se cruzam: este

é o Rio Negro, aquele é o Solimões.

Vê bem como este contra aquele investe,

como as saudades com as recordações”.

(José Quintino da Cunha)



- Partida para Manaus



Surpreendentemente, a saída de Porto Alegre, pela Gol, saiu dentro do horário previsto, o mesmo não ocorrendo na conexão em Brasília onde o caos havia se instalado e parecia não querer arredar o pé. A todo o momento os passageiros eram orientados a buscar outros portões de embarque e não raras vezes em andares diferentes num desrespeito flagrante ao usuário e uma patente mostra da desorganização que reina no sistema aeroviário brasileiro, país que se propõe a sediar a Copa em 2014.



- Manaus



Cheguei à tarde em Manaus com um atraso de quase uma hora e o amigo e Irmão gaúcho 1º Sargento Vaz se encarregou de me conduzir ao 2º Grupamento de Engenharia (2ºGpt) onde fiquei hospedado. O Vaz, gentilmente, convidou-me para tomar um chimarrão em sua residência e saborear, no jantar, uma pizza preparada por sua querida e habilidosa esposa.



- Contratempos



No dia seguinte fiz questão de verificar as condições de meu caiaque modelo Cabo Horn, fabricado pela Opium Fiberglass, e fiquei surpreso e preocupado ao constatar, por estes amazônicos imponderáveis, que haviam extraviado os tampões dos compartimentos de proa e de popa, leme, pás do remo de reserva, e outros itens. Os tampões eu podia improvisar com um plástico grosso e extensores, mas o leme tem tamanho, peso e formato muito específicos e faria muita falta ao enfrentar os famosos banzeiros e ventos de través. Tentei, sem sucesso, rastrear o caiaque do mesmo modelo que meu parceiro, o Coronel Teixeira, vendera, há dois anos, em Manaus depois de minha descida pelo Solimões. Contatei o amigo canoísta Marcelo da Luz, o “peixinho”, para ver se ele conhecia alguém, em Manaus, que possuísse um modelo semelhante e ele me informou que havia comprado um e se prontificou a levar os tampões e leme até o 2ºGpt. Embora os tampões fossem diferentes, o leme era idêntico e ele se dispôs a emprestá-lo. Eu já havia encomendado ao mestre Fábio Paiva, da Opium Fiberglass, o material, mas certamente ele não chegaria antes de minha partida, dia 23 de dezembro, minha jornada nem começara e eu já amargava um prejuízo de mais de mil reais.



- Lúcio Batista Guaraldi Ebling



Meu grande amigo Coronel Ebling foi, mais uma vez, meu ponta de lança me apoiando nos deslocamentos em Manaus para comprar alguns itens complementares e tive a oportunidade de almoçar com ele por três vezes. Novamente, ele doou ao Projeto um kit completo de reparação para eventuais avarias na fibra de vidro do caiaque.



- Partida para Costa de Santo Antônio (23 de dezembro de 2010)



O 2ºGpt havia providenciado um apoio substancial ao meu deslocamento, de Manaus a Santarém, em homenagem aos 40 anos do Grupamento. O Coronel Aguinaldo da Silva Ribeiro, meu ex-cadete, comandante do 8º Batalhão de Engenharia de Construção, sediado em Santarém, deslocou o B/M (Barco a Motor) Piquiatuba para me apoiar durante toda a jornada. A embarcação regional possui um convés principal e um convés superior, dispõe de cozinha, dois camarotes, dois banheiros, freezer, máquina de lavar roupas e televisão. Eu ia contar, graças aos discípulos de Vilagran, de um conforto que jamais havia imaginado e resolvi dormir embarcado, na véspera da partida na nau para evitar qualquer tipo de atraso. Improvisei tampões para o caiaque, montei minha barraca e a fixei solidamente no convés superior criando mais um aposento como alternativa. A zelosa tripulação era formada pelos soldados Mário Elder Guimarães Marinho (Comandante do B/M), Walter Vieira Lopes (Sub-comandante do B/M), Edielson Rebelo Figueiredo (Chefe da Casa de Máquinas) e Marçal Washington Barbosa Santos (cozinheiro) nosso bom Gourmet.



Acordei às 4h45, antes do amanhecer, e iniciei minha navegação pelo Rio Negro partindo do estaleiro do senhor Oziel Mustafa onde estávamos ancorados. Saí cedo tentando evitar a agitação que se seguiria. Às 5h45, o sol apontou, ainda preguiçoso, no horizonte, exatamente no alinhamento de minha proa, no mesmo instante em que eu passava na frente da estação de São Raimundo, fui, então, agradavelmente surpreendido com os maravilhosos acordes de nosso Hino Nacional, a magia do emocionante momento me envolveu e senti uma elétrica vibração percorrer minha epiderme. Continuei minha navegação e tive, mais de uma vez de desviar de pilotos, mal-educados que teimavam em sair de sua rota simplesmente para criar marolas que prejudicassem meu deslocamento. Eu já presenciara este comportamento condenável por diversas vezes no Guaíba onde pilotos de lanchas e Jet Sky, contrariando normas estabelecidas e o bom senso não priorizam as rotas de remadores e velejadores. Passei pela área do Porto do Chibatão onde, no dia 17 de outubro deste ano, ocorreu o deslizamento do barranco, provocado pela ação das águas, arrastando containers e carretas para o leito do Rio Negro.



Fiz a primeira parada na ilha Marapatá em frente à Refinaria de Manaus, recebi um telefonema da minha filha Vanessa, às 7h07, e enviei uma mensagem para o Coronel Colbelo do 2ºGpt informando minha posição, foi o último contato que pude estabelecer nos três primeiros dias de viagem. A equipe de apoio do Piquiatuba me ultrapassou e ficou aguardando à jusante da ilha, continuei minha navegação e logo em seguida pude observar o encontro das águas.



- Encontro das Águas



“Vê como se separam duas águas,

Que se querem reunir, mas visualmente;

É um coração que quer reunir as mágoas

De um passado, às venturas de um presente.



É um simulacro só, que as águas donas

D’esta região não seguem o curso adverso,

Todas convergem para o Amazonas,

O real rei dos Rios do Universo;

(José Quintino da Cunha)



O Negro enfrentava a maior estiagem dos últimos quarenta anos e não era páreo para o formidável Solimões. Na altura da Ponta das Lajes o limite entre ambos era nítido, as alfaces d’água, aguapés, pequenos pedaços de madeira marcavam a fronteira entre os formidáveis mananciais, aqui e ali as águas leitosas do Solimões penetravam céleres no flanco direito do Negro, os ataques se tornavam cada vez mais frequentes e violentos à medida que eu avançava. Minhas fotografias aéreas, certamente da época da cheia do Negro, mostravam suas águas progredindo, cada vez mais estreitas, até a altura de Itacoatiara, a 200 quilômetros da foz. Hoje as águas do Negro guardavam apenas uma pálida lembrança do pujante afluente. As águas do Solimões passava o comando para o Amazonas que continuava não dando trégua ao arqui-rival e o comprimia sem clemência de encontro à margem esquerda, até que não restasse nenhum vestígio das águas “negras como tinta”. Há séculos a luta entre estes dois titãs vem encantando a poetas, naturalistas, pesquisadores e a todos que tem a oportunidade de admirá-las. E pensar que no século XVI o nome do Amazonas de Orellana, a montante de Manaus, foi alterado para Solimões tendo em vista na época se desconhecer em qual dos dois titãs se encontraria a nascente natural do Amazonas.



- O Conto Águas



Mais uma vez caí no “conto das águas”. A tripulação do Piquiatuba informou que a água do reservatório era de boa qualidade e eu acreditei, infelizmente, minhas vísceras não. Estava tresnoitado ao iniciar minha jornada e além da desidratação, provocada pela disenteria, o sol causticante forçava-me a beber a água contaminada. Só então me dei conta que a água deveria ser a causa e me acerquei da embarcação de apoio para pedir que enchessem meu cantil com refrigerante. Procedi da mesma forma em mais duas oportunidades, era muito bom poder contar com este tipo de ajuda em pleno rio sem a necessidade de aportar.



- Puraquequara e Missão Novas Tribos



A passagem pelo Puraquequara sinalizada, nitidamente, pelo Farolete Maronas trouxe-me gratas lembranças do Curso de Operações na Selva do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), exemplos de superação, de camaradagem, de coragem, de fé e, sobretudo, determinação dos companheiros do COS A/99. Dedicarei um capítulo especial em meu futuro livro a respeito deste Centro de Instrução que é considerado, indiscutivelmente, o melhor do gênero em todo mundo.



Na boca do Puraquequara existe uma instalação da controvertida Missão Novas Tribos do Brasil, filiada à Sociedade Internacional de Linguística, que mereceria um capítulo à parte, mas cujo objetivo pode ser resumido como - aniquilar povos e culturas e salvar línguas. A ONG exerce sua nefasta ação na Amazônia com a total conivência e omissão das autoridades “(ir)responsáveis” e já foi processada por ter invadido área indígena dos Zo’e provocando a morte de 40 silvícolas por infecções respiratórias. A Associação Brasileira de Antropologia acusa os membros da famigerada seita fundamentalista também pela destruição cultural, promover a desagregação social, realizar prospecção mineral e contrabando. Vários países latino-americanos, mais atentos, já expulsaram os vis missionários de seus países.



- Costa de Santo Antônio



A viagem continuou sem grandes novidades pela face Norte da enorme Ilha do Careiro (40 km de extensão) e chegamos ao nosso local de destino por volta das treze horas depois de remar por 70 quilômetros durante 7h30. O Porto era um pequeno igarapé na Costa de Santo Antônio, um quilômetro a jusante do igarapé de mesmo nome da Costa, exatamente na parte mais estreita compreendida entre a margem esquerda do Amazonas e a Ilha das Onças. A tripulação foi pescar com a tarrafa que eu adquirira em Manaus e à noite, no jantar, degustamos o fruto de seu labor. Uma chuva torrencial iniciou à tarde, felizmente depois de estarmos perfeitamente atracados, protegidos e instalados na foz do igarapé.





Solicito Publicação



Coronel de Engenharia Hiram Reis e Silva

Professor do Colégio Militar de Porto Alegre (CMPA)

Presidente da Sociedade de Amigos da Amazônia Brasileira (SAMBRAS)

Acadêmico da Academia de História Militar Terrestre do Brasil (AHIMTB)

Membro do Instituto de História e Tradições do Rio Grande do Sul (IHTRGS)

Colaborador Emérito da Liga de Defesa Nacional

Site: http://www.amazoniaenossaselva.com.br

E–mail: hiramrs@terra.com.br

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Quinta-feira, 06.01.11

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Quinta-feira, 06.01.11

VÍTIMAS DO TERRORISMO - JANEIROS

VÍTIMAS DO TERRORISMO - JANEIROS


Neste janeiro de 2011, reverenciamos a todos os que, em janeiros passados, tombaram pela fúria política de terroristas. Os seus algozes, sob a mentira de combater uma ditadura militar, na verdade queriam implantar uma ditadura comunista em nosso país.

Nestes tempos de esperança, cabe-nos lutar para que recebam isonomia no tratamento que os "arautos" dos direitos humanos dispensam aos seus assassinos, que hoje recebem pensões e indenizações do Estado contra o qual pegaram em armas.

A lembrança deles não nos motiva ao ódio e nem mesmo à contestação aos homens e agremiações alçados ao poder em decorrência de um processo político legítimo. Move-nos, verdadeiramente, o desejo de que a sociedade brasileira lhes faça justiça e resgate aos seus familiares a certeza de que não foram cidadãos de segunda classe por terem perdido a vida no confronto do qual os seus verdugos, embora derrotados, exibem, na prática, os galardões de uma vitória bastarda, urdida por um revanchismo odioso.

A esses heróis o reconhecimento da Democracia e a garantia da nossa permanente vigilância, para que o sacrifício de suas vidas não tenha sido em vão.

10/01/68 – Agostinho Ferreira Lima - (Marinha Mercante - Rio Negro / AM)

No dia 06/12/67, a lancha da Marinha Mercante “Antônio Alberto” foi atacada por um grupo de nove terroristas, liderados por Ricardo Alberto Aguado Gomes “Dr. Ramon”, o qual, posteriormente, ingressou na Ação Libertadora Nacional (ALN). Neste ataque Agostinho Ferreira Lima foi ferido gravemente, vindo a falecer no dia 10/01/68.

07/01/69 – Alzira Baltazar de Almeida - (Dona de casa – Rio de Janeiro / RJ)

Uma bomba jogada por terroristas, embaixo de uma viatura policial, estacionada em frente à 9ª Delegacia de Polícia, ao explodir, matou a jovem Alzira, de apenas 18 anos de idade, uma vítima inocente que na ocasião transitava na rua.

11/01/69 – Edmundo Janot - (Lavrador – Rio de Janeiro / RJ)

Morto a tiros, foiçadas e facadas por um grupo de terroristas que havia montado uma base de guerrilha nas proximidades da sua fazenda.

29/01/69 – Cecildes Moreira de Faria (Subinspetor de Polícia) e José Antunes Ferreira (Guarda Civil) – BH/MG

Durante a abordagem de um um “aparelho” do Comando de Libertação Nacional (Colina), na rua Itacarambu nº 120, bairro São Geraldo, identificado por Pedro Paulo Bretas, “Kleber”, a equipe de segurança foi recebida por rajadas de metralhadora, disparadas por Murilo Pinto Pezzuti da Silva, “Cesar” ou “Miranda”, que, com 11 tiros, mataram o Subinspetor Cecildes Moreira da Silva, que deixou viúva e oito filhos, e o Guarda Civil José Antunes Ferreira, ferindo, ainda, o Investigador José Reis de Oliveira. No interior do “aparelho”, foram presos o assassino Murilo Pinto Pezzuti da Silva o os terroristas do Colina: Afonso Celso Lana Leite, ”Ciro”; Mauricio Vieira de Paiva, ”Carlos”; Nilo Sérgio Menezes Macedo; Júlio Antonio Bittencourt de Almeida, “Pedro”; Jorge Raimundo Nahas, “Clovis” ou “Ismael”; Maria José de Carvalho Nahas, “Celia” ou “Marta”, e foram apreendidos 1 fuzil FAL, 5 pistolas, 3 revólveres, 2 metralhadoras, 2 carabinas, 2 granadas de mão, 702 bananas de dinamite, fardas da PM e dinheiro de assaltos.

17/01/70 – José Geraldo Alves Cursino - (Sargento PM – São Paulo / SP)

Morto a tiros por terroristas.

07/01/71 – Marcelo Costa Tavares - (Estudante – 14 anos - MG)

Morto por terroristas durante um assalto ao Banco Nacional de Minas Gerais.

Participaram da ação: Newton Moraes, Aldo Sá Brito, Macos Nonato da Fonseca e Eduardo Antonio da Fonseca.

18/01/72 – Tomaz Paulino de Almeida - (sargento PM – São Paulo / SP)

Morto, a tiros de metralhadora, no bairro Cambuci, quando um grupo terrorista roubava o seu carro.

Autores do assassinato: João Carlos Cavalcante Reis, Lauriberto José Reyes e Márcio Beck Machado, todos integrantes do Movimento de Libertação Nacional (Molipo).

As famílias dos assassinos João Carlos Cavalcante Reis e Lauriberto José Reyes foram indenizadas pela Lei nº 1.140/95.

20/01/72 – Sylas Bispo Feche - (Cabo PM São Paulo / SP)

O cabo Sylas Bispo Feche, integrava uma Equipe de Busca e Apreensão do DOI/CODI/II Exército. Sua equipe executava uma ronda, quando um carro VW, ocupado por duas pessoas, cruzou um sinal fechado quase atropelando uma senhora que atravessava a rua com uma criança no colo. A sua equipe saiu em perseguição ao carro suspeito, que foi interceptado. Ao tentar aproximar-se para pedir os documentos dos dois ocupantes do veículo, o cabo Feche foi, covardemente, metralhado por eles.

Os assassinos do cabo Feche, ambos membros da Ação Libertadora Nacional (ALN), mortos no tiroteio que se seguiu, foram Gelson Reicher “Marcos” que usava identidade falsa com o nome de Emiliano Sessa, chefe de um Grupo Tático Armado (GTA) e já tinha praticado mais de vinte atos terroristas, inclusive o seqüestro de um médico; e Alex Paula Xavier Pereira “Miguel”, que usava identidade falsa com o nome de João Maria de Freitas, com curso de guerrilha em Cuba e autor de mais de quarenta atos terroristas, inclusive atentados a bomba na cidade do Rio de Janeiro.

As famílias dos assassinos Gelson Reicher e Alex Paula Xavier Pereira foram indenizadas pela Lei nº 9.140/95.

25/01/72 – Elzo Ito - (Estudante – São Paulo / SP)

Aluno do Centro de Formação de Pilotos Militares, morto por terroristas quando roubavam seu carro.

Os mortos acima relacionados não dão nomes a logradouros públicos, nem seus parentes receberam indenizações, mas os responsáveis diretos ou indiretos por suas mortes dão nome à escolas, ruas, estradas e suas famílias receberam vultosas indenizações, pagas com o nosso dinheiro.

Texto adaptado de: TERNUMA

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